Com o nosso objectivo em mente, montamo-nos na nossa Nave da Imaginação e activamos os motores. Enquanto ascendemos ao Céu, sentindo o assento vibrar com o rugir das turbinas, ouvimos o apito curto e suave da consola de comandos. É uma mensagem. Uma tempestade solar acaba de se detectada. Estes eventos relativamente comuns podem ser bastante massadores e representam certamente um perigo para astronautas ou aparelhos electrónicos desprotegidos. Felizmente a nossa nave está equipada para nos proteger e, para o resto da humanidade, a Terra trata do resto (embora se a tempestade for suficientemente forte, possa causar interferências nos radios e televisões).
Mas proteger astronautas eequipametos de cada vez que há uma tempestade destas é caro e dificil. Pedem-nos que façamos um desvio e visitemos o nosso Sol. Talvez o possamos estudar e compreender um pouco mais sobre ele. A nossa visita à Lua terá de esperar.
O Sol está, em média, a cerca de 1,496 x 10^8 (isto lê-se 1,496 vezes 10 elevado a 8) quilómetros da Terra. A notação, ou a maneira como escrevi o número, que usei chama-se Notação Científica. Multiplicando um número por dez elevado a qualquer coisa significa que o valor total é esse número com a virgula "qualquer coisa" casas à direita. Assim, 1,496 x 10^8 representa na verdade 149600000. Se o oito tivesse sinal negativo teríamos que andar oito casas para a esquerda. O Sol está portanto a cerca de 149600000km da Terra. E digo cerca porque, embora o nosso planeta gire à sua volta, a orbita não é um circulo perfeito; é uma elipse. Há portanto alturas em que estamos m ais perto do Sol que outras. Para o dia a dia esta distância é enorme. Tão grande que nos leva tempo a percorrer essa distância, tempo de que não dispomos. Mesmo a luz, que viaja à incrivel velocidade de 300000km/s demora mais de oito minutos a viajar entre o Sol e a Terra. Felizmente a nossa nave só está limitada pela imaginação, como convém a uma Nave da Imaginação. Num piscar de olhos estamos lá.
O Astro-Rei ergue-se em toda a sua glória, suspenso no nada, à nossa frente.
Visto assim não se parece nada com o disco claro ebem comportado que apreciamos quando estamos na Terra (a propósito, não olhem directamente para o Sol e especialmente NUNCA com instrumentos como sejam binóculos ou telescópios sem a protecção adequada. Ficarão irreversivelmente cegos). Este Sol parece-se com um demónio irrequieto. Pulsa e borbulha como água numa panela a ferver. Grandes arcos de fogo líquido erguem-se evoltam a cair no Astro brilhante.
Aqui, à superfície do Sol, estão uns amenos 5778 Kelvin. O kelvin é a unidade de temperatura em ciência. Adicionando-se 273 à temperatura em graus celsius obtemos atemperatura em graus Kelvin. Digo ameno porque, no nosso caminho até ao Sol, passámos por uma "camada" solar chamada Coroa. Esta é uma espécie de atmosfera" do Sol e só é visivel durante eclipses totais. Na coroa a temperatura atinge uns fritantes milhões de graus.

Amarelo e quase perfeitamente esférico, o Sol é aquilo a que os astrónomos chamam uma estrela de tipo G. Uma estrela anã. Divide-se no núcleo, zona radiativa, zona convectiva, fotosfera, cromosfera e coroa. Visitaremosestes locais no próximo post.
Numa destas noites, aproveitem o tempo livre que normalmente vem com esta altura do ano e vão parao quintal ou para a varanda mais protegida da (muito temida e amaldiçoada) poluição luminosa que tiverem ao vosso dispor.
Olhem para cima.
Vejam os pontos luminosos sob o fundo escuro. Aqueles que tenham a sorte de se encontrar longe dos grandes centros urbanos poderão vislumbrar a forma enevoada da nossa galáxia, a Via Láctea.
Agora repitam isto durante dois ou três dias.
Está tudo na mesma não está (não sejamos perfeccionistas)?
O céu parece constante. As estrelas, salvo raras excepções, estão todas lá, no mesmo sítio, todos os dias da semana, 12 meses por ano. Tirando a Lua, o Sol e os planetas visíveis com facilidade a olho nú (Mercúrio, Vénus, Marte, Júpiter e Saturno), tudo o resto parece imutável.
Numa altura em que o Mundo parecia 'explodir' à sua volta e onde nunca havia certezas acerca do dia de amanhã, o céu deve ter sido reconfortante para os nossos antepassados. Os planetas, movendo-se contra o fundo de estrelas, com certeza eram espíritos importantes. Ou talvez fossem tribos viajantes, que carregavam consigo uma torcha para lhes ilumina o caminho no céu. Certamente que o Sol e a Lua, tao grandes e brilhantes, distribuindo benesses como luz e calor, seriam Deuses poderosos, cuja satisfação (ou não) permitiria uma boa colheita (ou uma seca ou praga).
As estrelas aparentemente fixas eram pontos de referência infalíveis em que um caçador ou batedor estraviado poderia com certeza confiar para regressar ao acampamento da sua tribo. Talvez os caçadores de antigamente julgassem as estrelas como fogueiras de acampamento de outras tribos no céu. Ou talvez fossem os olhos coruscantes dos tair deuses poderosos.
Os povos antigos não tinham Ciência. As ferramentas para compreenderem o Universo não estavam ainda nas suas mãos e os mistérios do Cosmos estavam-lhes vedados. Numa tentativa de encontrarem um ponto de apoio, atribuiam os acontecimentos à sua volta aos caprichos e vontades de deuses.
Ainda hoje subsistem influências dessas crenças sobrenturais: Em Portugal chamamos ao braço visível da nossa Galáxia a Estrada de Santiago, o caminho que as almas seguem no seu caminho para o Paraíso. Algumas tribos do continente africano têm a crença de que a Via Lácte é a espinha dorsal da noite, aquilo que mantém as estrelas e todo o céu nocturno no devido lugar, impedindo que essas coisas nos caiam em cima da cabeça. O pŕoprio nome Via Láctea advem do aspecto leitoso que a nossa galáxia apresenta quando vista por nós com os pés bem assentesna terra e com nada menos que os nossos olhos para observar - obviamente que não há rios de leite a correr no espaço (que se saibam não existem vacas espaciais).
Mas, com toda a sua imutabilidade, ainda era (e é) possível ao observador atento distinguir padrões que se repetiamcom regularidade. Estrelas que só apareciam em determinadas alturas do ano, as fases da Lua que mudavam e se repetiam a cada 27 dias aproximadamente, o Sol que variava a altura máxima que atingia ao meio-dia à medida que o ano avançava (no equador, ao contrário do que muitas pessoas acreditam, o Sol não se encontra sempre directamente a cima da nossa cabeça. De facto, tal só acontece em duas alturas do ano - alguém quer adivinhar quais?).
A observação desses padrões e a tentativa da sua previsão (a altura que o Sol atinge, entre outras coisas, é uma das razões pela qual temos estações do ano - é um pouco mais complicado mas explicarei isso noutro post - enquanto que a posição da Lua e do Sol influenciavam as marés), permitiam às pessoas adivinhar quais as melhores alturas para plantar determinadas culturas, por exemplo. O estudo do Céu nasceu da necessidade prática de sobreviver/melhorar o dia-a-dia (como de resto aconteceu com a maioria das grandes descobertas). Era o começo da Astronomia e, também, da Astrologia. Na verdade, no princípio, não havia qualquer diferença entre uma e outra. A Astrologia era, na verdade, uma necessidade importante, já que aqui previsão era aplicada às tais alturas propricias para plantar. Com o passar dos séculos a Astrologia começo a ser mais esotérica (embora na China, por exemplo, se Astrólogo fosse uma profissão perigosa - se o astrólogo do Imperador não conseguisse, por exemplo, prever a passagem de um cometa, era sumariamente executado) e desviou-se da Astronomia, tornando-se numa pseudo-ciência (este tema será abordado mais tarde também).
O Universo hoje em dia continua misterioso e, na verdade, há muitas coisas que não sabemos sobre Ele. Mas não com o misticismo de antigamente. Não existem deuses no topo do Olimpo. As expedições ao espaço exterior não revelaram qualquer prova da existência de deuses ou anjos (em boa verdade também não as refutaram, mas não estamos aqui para discutir teologia). O que me proponho nos próximos posts é fazer-vos uma visita guiada ao Universo, começando pelo nosso Sistema Solar. Como partimos da Terra, parece-nme bem pararmos primeiro na Lua, que está mais proxima. Vemo-nos lá no proximo post.
P.S.: recentemente comecei a usar um destes teclados sem fios. É pratico porque nao tenho de me preocupar com trazer o PC a traz de cada vez que puxo o teclado para mim, mas reparei que tem uma inconveniência: às vezes não assume as teclas quando eu lá carrego. Desculpem portanto, se este posttiver mais erros que o habitual.
Este é sem dúvida o MAIOR clássico de divulgação cientifica alguma vez feito. Dizem-me que passou na televisão portuguesa há cerca de 30 anos. Cosmos, por Carl Sagan, marcou toda uma geração e pôs a ciência do espaço e da própria humanidade ao alcance de toda a gente. É com alegria que apresento este link descoberto acidentalmente:
http://divulgarciencia.com/categoria/cos
Sigam que vale a pena.
Enquanto os motores aquecem e isto não começa a avançar a sério, vão olhando para cima estes dias 12, 13, 14 e 15 de Agosto. Pode ser que sejam agraciados com as Perseidas, chuva de estrelas já costumeira nesta altura do ano.
As Perseidas devem o seu nome ao facto de o seu radiante (o ponto de onde todos os traços deixados por estes grãos de poeira/areia - que chegam a entrar na atmosfera a velocidades de cerca de 60km/s) estar situado na constelação de Perseu. O máximo previsto para a chuva este ano é logo na noite de 12 para 13, por isso nao percam e logo que o Sol se ponha metam-se de cabeça no ar. Se não pretenderem fotografar o evento, a melhor maneira de observar é fazendo uso de uma cadeira de praia ou semelhante, para estarem confortavelmente deitados enquanto observam o fenómeno (falo por experiência própria: passar horas de pé ou sentado a olhar para cima é bastante desconfortável para o pescoço e costas).
Há um excelente post sobre as Perseidas no blog AstroPT que poderão visitar, se interessados, seguindo este link:
http://astropt.org/blog/2010/08/07/perse
Boas Observações!
O Avistando O COSMOS vai reentrar em actividade brevemente.
Foi um longo intervalo de estagnação mas agora vamos aquecer os motores da nossa, como disse Carl Sagan no seu COSMOS, Nave da Imaginação e voltar a desbravar o desconhecido, a explorar esse nosso Universo, rico em beleza e em enigmas. Para compreender o Cosmos só é necessário ter curiosidade e uma mente aberta. Venha daí e viage conosco!
(P.S.: Ainda não sei se deverei apagar os posts anteriores ou não. Considerem-se à vontade para dar a vossa opinião.)
Coimbra, 09 Set (Lusa) - O primeiro planetário insuflável digital do país é inaugurado na próxima sexta-feira em Mira, distrito de Coimbra, no âmbito de um projecto que visa a promoção da astronomia nas escolas do concelho, anunciou hoje a ASTROEMIR.
O equipamento foi adquirido pela Câmara Municipal para o núcleo de astronomia da ASTROEMIR - Associação Cultural e Desportiva de Mira, que possui um observatório astronómic0 na Escola Secundária, através do programa Ciência Viva.
Segundo explicou à Lusa o presidente da associação, David Nunes, "o equipamento tem a particularidade de projectar imagens computorizadas numa superfície esférica através de uma lente especial e com possibilidade de receber dados no leitor de DVD ou portas USB".
A aquisição deste planetário, adianta o astrónomo amador David Nunes, "tem como principal objectivo a utilização por todas as escolas do concelho de Mira", no âmbito do projecto "Navegar nas estrelas", que visa a promoção da astronomia.
O núcleo de astronomia da ASTROEMIR tem uma ligação directa aos estabelecimentos de ensino de Mira e colabora com a Agência Nacional para a Cultura Científica e Tecnológica Ciência Viva.
O programa da inauguração do primeiro planetário insuflável digital do país ainda não foi divulgado.
DIARIO DIGITAL
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Em comunicado, o Laboratório de Propulsão a Jacto (JPL), da Agência Espacial Americana (NASA), explicou que estas observações constituem a primeira visão directa da forma como a água, elemento crucial na formação de vida, começa a fazer parte dos planetas, inclusivamente dos rochosos, como a Terra.
Tirado da webpage da TSF |
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Hoje a minha mãe caiu das escadas. Vai dai lembrei-me de falar daquela coisa que toda a gente sabe que existe mas poucos se lembram até ela os fazer – bruscamente – voltar à Terra: a Gravidade.
A gravidade faz das suas desde que o Universo se formou – e só não fazia antes porque nao havia materia para dar origem a ela, mas ja la vamos.
Ja na Antiguidade, as pessoas desconfiavam da existência de algo que mantinha tudo no seu devido lugar, mas nao sabiam o que era. A ideia vigente na altura era de que os planetas e outros corpos celestes se encontravam suspensos em esferas cristalinas que rodavam sobre si próprias e asseguravam o bom movimento dos objectos no céu.
Claro que nao faziam a minima ideia do que raio seria a Gravidade e, como esta nao gostava de ser ignorada, alguns anos mais tarde (leia-se, seculos mais tarde), fez cair uma maçã – pelo menos é o que dizem, eu para mim deve ter sido mais um maço de dez toneladas – em cima da cabeça de um senhor. Este senhor chamava-se Isaac Newton, mais tarde atribuido o titulo de Sir, pelos serviços prestados à humanidade. O sortudo Sir Isaac, depois de ter tratado o galo na cabeça, foi atacado por uma ideia genial: a mesma coisa que tinha feito cair a maça na sua cabeça, devia provavelmente ser a mesma que mantinha a Lua em volta da Terra!
Isaac Newton ja estava familiarizado com o trabalho de outro famoso cientista: Kepler. A partir da Terceira lei de Kepler, que diz que o quociente entre o quadrado do tempo que leva um planeta a completar a sua orbita e o Cubo da distância deste ao sol era constante. Newton teve um vislumbre de algo mais profundo ao aprender essas leis e, a partir da terceira lei de kepler, chegou aquela que seria uma das suas maiores descobertas: A Lei da Gravitação Universal. Basicamente esta postula que existe uma força, que se faz sentir em todo o Universo, cuja a intensidade diminui com o quadrado da distância e que seria responsavel pelas maças cairem na Terra e a lua nao fugir para longe de nós.
So por curiosidade, aqui fica a fórmula da Lei da Gravitaçao.
Fg = G*(m*M)/r2
Esta foi uma ideia revolucionária, que deu uma carga de trabalhos para ser encontrada e materializada (Isaac Newton teve, entre outras coisas, de criar uma área completamente nova da matemática: o Calculo Integral). Mas mesmo assim não satisfez a Gravidade...
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